O Fórum cultural e acadêmico da Universidade Planetária do Futuro presta homenagem ao importante poeta brasileiro Ferreira Gullar, no dia 05 de dezembro de 2016, quando sua voz parou.
Mais um poeta maranhense e brasileiro encerra sua missão terrena, porém sua obra permanece na história da cultura do país.
O mundo fica mais fragilizado, quando desaparecem historiadores, escritores, poetas, professores, pintores, músicos, cantores, atrizes, atores, e todos aqueles que engrandeceram e engrandecem a cultura, a educação, a arte, a poesia, a literatura e a ciência humanista.
Eu sou feliz. Quero morrer assim, bem, com paz, Se você me ama, me deixa morrer em paz. Foi isso que ele me pediu, revelou, disse sua mulher, a poeta Claudia Ahinsa.
Ferreira Gullar foi batizado com o nome de José Ribamar Ferreira, tendo nascido na cidade de São Luís - MA, em 10 de setembro de 1930. Ele destacou-se ao longo de sua trajetória, como escritor, poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista, ensaísta, e foi um dos importantes fundadores do neoconcretismo, no Séc. XX.
O poeta Ferreira Gullar faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 04 de dezembro de 2016, no CTI de um hospital em Copacabana, após complicações pulmonares que perduraram por mais de 20 dias.
Seu corpo foi velado na Biblioteca Nacional, e na data de hoje, 05 de dezembro, houve cerimônia fúnebre, na Academia Brasileira de Letras, onde foi empossado em dezembro de 2014.
Ferreira Gullar discursa em sua posse na Academia Brasileira de Letras, em dezembro de 2014.
Hoje à tarde houve o sepultamento do corpo do grande poeta no mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, cidade que ele abraçou e amou.
Ferreira Gullar, doce e forte em sua poética
Ele disse em suas diversas entrevistas quando lhe era perguntado qual seria, em sua opinião, o conceito da palavra arte: “a arte é uma coisa muito difícil, não me considero a altura de definir o que é arte porque é uma coisa da experiência. Seguramente arte supõe uma linguagem, o conhecimento dessa linguagem e, sobretudo talento, de modo que para se fazer arte tem que nascer artista, não que nasça sabendo, mas com as qualidades que poderão torná-lo um artista. Definir arte de uma maneira genérica é muito difícil”. A ainda disse: “A crítica de arte foi uma coisa que nasceu do próprio processo cultural. As pessoas naturalmente que se interessam por arte, que não são criadoras de arte, mas que tem grande interesse por arte, buscam o entendimento da arte porque no fundo a crítica é antes de mais nada a tentativa de entender a arte. Evidentemente não há crítica infalível. A crítica tem uma parte de conhecimento e de objetividade. Outra parte é subjetividade e opinião”.
Ave Gullar!
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?
(Ferreira Gullar. Os Melhores Poemas de Ferreira Gullar.)
Ave Gullar!
Por Ana Felix Garjan, 05/12/2016
Por Ana Felix Garjan, 05/12/2016
“A ARTE EXISTE PORQUE A VIDA NÃO BASTA”.
Ele diz em suas diversas entrevistas quando lhe é perguntado qual seria, em sua opinião, o conceito da palavra arte: “a arte é uma coisa muito difícil, não me considero a altura de definir o que é arte porque é uma coisa da experiência. Seguramente arte supõe uma linguagem, o conhecimento dessa linguagem e, sobretudo talento, de modo que para se fazer arte tem que nascer artista, não que nasça sabendo, mas com as qualidades que poderão torná-lo um artista. Definir arte de uma maneira genérica é muito difícil”. A ainda disse: “A crítica de arte foi uma coisa que nasceu do próprio processo cultural. As pessoas naturalmente que se interessam por arte, que não são criadoras de arte, mas que tem grande interesse por arte, buscam o entendimento da arte porque no fundo a crítica é antes de mais nada a tentativa de entender a arte. Evidentemente não há crítica infalível. A crítica tem uma parte de conhecimento e de objetividade. Outra parte é subjetividade e opinião”.
Pensando sobre arte como expressão da sociabilidade humana:
Os fatos artísticos e sociais, como elementos da cultura, evidenciam que os modos de compreensão e apropriação da realidade ocorrem de forma coletiva, mediante práticas sociais que são compartilhadas e transmitidas historicamente.
Por essa razão, somos todos, coletivamente, sujeitos criadores da cultura e da arte, considerando que herdamos concepções, representações e significados que assimilamos, modificamos e comunicamos, garantindo a continuidade do conhecimento e do compartilhamento de símbolos sociais essenciais para a vida em sociedade.
Segundo Bourdieu, o capital simbólico que podemos acumular como aporte cultural constitui-se de elementos da vida social que influenciam a cultura e por ela são também influenciados: as artes, as formas de comunicação, as crenças, os costumes formam a amálgama dessa experiência de vida social.
Nesse sentido, a arte como forma privilegiada de leitura e interpretação da realidade social, pode ser considerada como um modo de expressão complexo e multifacetado, pois sendo o resultado de um contexto social, não é apenas o reflexo de uma realidade, mas também apresenta sua potencialidade para questionar esse contexto.
Paulo Barroso, pesquisador português, no campo da sociologia da arte, lembra-nos que:
“A criação artística como expressão social está patente, na variedade de estilos, formas, matérias e temas que marcam as épocas das obras de arte.
Ao longo da história a arte tem conseguido expressar a diversidade religiosa: os templos gregos em honra dos deuses, as pirâmides egípcias, as mesquitas árabes, os mosaicos bizantinos ou os vitrais góticos e os capitéis românicos das catedrais ocidentais. (Barroso: p.83)
Um exemplo da arte como elemento de intervenção social pode se evidenciar em uma dupla dimensão: reiterando valores sociais ou questionando a ordem social. Por exemplo, reiterando os valores vigentes podem ser citados os monumentos que simbolizam o regime democrático, como a estátua da liberdade, em Nova Iorque, ou a águia imperial, em Versalles, fazendo a apologia ao Estado absolutista de Luís XIV. Por outro lado, a obra de Pablo Picasso, Guernica, conhecida mundialmente, expressou o posicionamento político do artista em relação aos republicanos, durante a Guerra Civil Espanhola, retratando a destruição de Guernica, capital do país Basco. Picasso não reproduziu cenas da guerra, mas os sentimentos de horror e dor provocados pelos impactos desse bombardeio. A obra de 1937 antecipou uma visão do massacre que ocorreria em toda a Europa, durante a Segunda Guerra Mundial.
Na atualidade, a realidade mundial mostra-se ao mesmo tempo padronizada pelo mercado global, porém também muito diversificada num contexto em que convivem diversificadas e contraditórias interpretações e expressões da sociabilidade humana. Temos a construção de profundos movimentos pela PAZ, enquanto proliferam as guerras no oriente. Portinari, com sua obra Guerra e Paz, conseguiu captar a profunda contradição da civilização humana. Também o termo “arte” pressupõe uma realidade diversa, razão pela qual existem linguagens artísticas diferentes e peculiaridades técnicas e materiais das obras.
A diversidade da realidade artística e as peculiaridades das linguagens e técnicas da arte explicam a capacidade de produção e de recepção de influências do meio social. Existem tanto modos de ver como mundos interpretados pela arte, na medida em que proliferam redes ou estruturas onde se produzem e se consomem obras de arte, o que leva Pierre Bourdieu a designar por campo artístico. (BARROSO: p. 84).
Na realidade, o artista é um intérprete do meio em que se encontra inserido e é portador de sínteses artísticas em que os elementos sociais, elaborados em seu pensamento e influenciados por seus sentimentos, se refletem em suas obras, sendo, portanto, um criador e comunicador de elementos subjetivos e objetivos, que se materializam na pintura, na literatura, na música e na fotografia.
Os artistas envolvidos no movimento de produção entre os continentes, como está publicado nos livros que estão sendo lançados em diversos países da Europa, dos quais faço parte, são artistas que, atravessando fronteiras e articulando pessoas do Brasil e dos mais diferentes países, apresentam sua arte sob os mais diferentes estilos, trabalhando para construir uma relação mais ampliada entre a arte e os mais diversos segmentos da sociedade, na tentativa de ultrapassar os limites das sociedades capitalistas contemporâneas, onde um público restrito tem acesso ao “mercado das obras de arte” e aos valores estéticos impostos por esse campo artístico, constituído predominante por uma classe social privilegiada. Naturalmente, um processo de democratização da arte e de suas formas de manifestação requer uma renovação nos processos de sociabilidade humana, permitindo uma ampla circulação de produção artística em todos os campos, para que se construam novos padrões culturais, que embora não possam ser isentos das influências do atual contexto social, fortaleçam formas de influenciar esse contexto, visando principalmente humanizar as relações sociais.
A relação entre arte e educação foi defendida por muitos artistas e escritores do século XIX, mas destaca-se, aqui, Fernando Pessoa, que defendeu uma função instrutiva da arte para o bem e para a verdade, o que quer dizer, claramente, o fortalecimento entre a ética e a estética.
Ave Gullar!
Ferreira Gullar quando garoto jogou futebol, depois pintou alguns quadros, por ter descoberto a arte. Mas a paixão de sua vida era a poesia. Ele publicou seu primeiro livro, aos 19 anos, intitulado “Um pouco acima do chão”.
Aos 21 anos mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi locutor de rádio, editor de revistas literárias, colaborou com jornais e revistas como poeta e crítico de arte. Em 1976 publicou o “Poema Sujo”, livro que marcaria toda a sua obra literária.
Dentre suas principais obras destacam-se: "A luta corporal", lançada em 1954, "Dentro da noite veloz", do ano de 1975, "Poema sujo" de 1976 e "Na vertigem do dia", em 1980.
Registramos os primeiros versos do POEMA SUJO, de Ferreira Gullar:
turvo turvo
a turva
mão do sopro
contra o muro
escuro
menos menos
menos que escuro
menos que mole e duro menos que fosso e muro: menos que furo
escuro
mais que escuro:
claro
como água? como pluma? claro mais que claro claro: coisa alguma
e tudo
(ou quase)
um bicho que o universo fabrica e vem sonhando desde as entranhas
azul
era o gato
azul
era o galo
azul
o cavalo
azul
teu cu
tua gengiva igual a tua bocetinha que parecia sorrir entre as folhas de
banana entre os cheiros de flor e bosta de porco aberta como
uma boca do corpo (não como a tua boca de palavras) como uma
entrada para
eu não sabia tu
não sabias
fazer girar a vida
com seu montão de estrelas e oceano
entrando-nos em ti
bela bela
mais que bela
mas como era o nome dela?
Não era Helena nem Vera
nem Nara nem Gabriela
nem Tereza nem Maria
Seu nome seu nome era…
Perdeu-se na carne fria
perdeu na confusão de tanta noite e tanto dia
perdeu-se na profusão das coisas acontecidas
constelações de alfabeto
noites escritas a giz
pastilhas de aniversário
domingos de futebol
enterros corsos comícios
roleta bilhar baralho
mudou de cara e cabelos mudou de olhos e risos mudou de casa
e de tempo: mas está comigo está
perdido comigo
teu nome
em alguma gaveta.
Ave Gullar!
Dezembro de 2014: Ferreira Gullar na Academia Brasileira de Letras
A Academia Brasileira de Letras realizou a cerimônia de posse do novo imortal maranhense Ferreira Gullar m 05 de dezembro de 2014, quando ele tornou-se o mais novo imortal da ABL, no décimo quarto ano da 2ª década do século XXI, às vésperas do novo de 2015, desse Terceiro Milênio.
O Maranhão, São Luís e o Brasil têm grande orgulho desse seu filho, o poeta Ferreira Gullar que foi, maestro das palavras, de novas vozes, de novos sons, das diversas odes, sinfonias, cantos e estética de sua poesia sem fronteiras e de sua importante participação no cenário da literatura brasileira, latina e internacional. É crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista, ensaísta, um dos fundadores do neoconcretismo, colunista da Folha de São Paulo, e um dos mais reverenciados e prestigiados autores brasileiros vivos, na nossa contemporaneidade desse início do Século XXI.
Ferreira Gullar é um admirado e respeitado poeta brasileiro, um doce e forte poeta de cabelos lisos e brancos da cor de prata lunar de uma Ilha Ludovicense encantada, sua terra natal, que o fez ser também encantado, mais ainda, em seus 84 anos, pois é possuidor de uma rara e virtuosa essencialidade e simplicidade no que pensa, fala, escreve e deixa fluir, através da arte do tempo em sua vida e em sua obra, que ganhou notoriedade e que é reconhecida há décadas, a partir de sua ida para o Rio de Janeiro, mas sempre retornando à sua amada cidade onde estão seus amados familiares, amigos, admiradores e seguidores de sua obra literária.
A partir do dia 5 de dezembro de 2014, o grande poeta Ferreira Gullar passou a ser o mais novo membro imortal da Academia Brasileira de Letras, uma das importantes instituições literárias do nosso país.
Gullar, poeta maranhense na Casa de Machado de Assis.
Primeiramente, na data de 14/07/2014, Ferreira Gullar se candidatou a uma vaga na ABL, enviando uma carta de praxe, uma vez que tinham sido abertas inscrições que foram até o prazo de 10 de agosto, pela vaga de uma Cadeira em disputa que era ocupada por Ivan Junqueira, falecido em 3 de julho de 2014.
Gullar contou com o apoio do seu amigo, o acadêmico Antonio Carlos Secchin, que liderou a campanha por sua eleição, o qual proferiu um importante discurso sobre a obra do poeta, pois ele como crítico literário foi o organizador do livro: "Ferreira Gullar: Poesia Completa, Teatro e Prosa”.
A Academia Brasileira de Letras, cujo patrono é o imortal Machado de Assis, abriu seus espaços acadêmicos, suas portas, janelas, salões e sua atmosfera histórica, na noite do dia 5 de dezembro para empossar mais um notável representante das letras e cultura brasileira, em nível internacional.
Ferreira Gulllar foi empossado na cadeira nº 37 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo ao poeta e tradutor Ivan Junqueira (1934-2014).
Em seu discurso de linguagem simples, mas com mensagens leves e importantes, Gullar falou sobre o caminho e processo que o levou à ABL, fez homenagem aos seus antecessores e recebeu muitos aplausos dos seus novos confrades, amigos e admiradores, inclusive contou com a presença dos seus amigos, a atriz Fernanda Montenegro e o cartunista Ziraldo. Gullar agradeceu a todos, fez agradecimento ao acadêmico José Sarney, seu amigo maranhense, e homenageou o patrono de sua cadeira, Tomaz Antonio Gonzaga. Ele disse: "Não diria que foi um grande poeta, mas tampouco enveredou pela falsa retórica e falsos sentimentos".
Ao final de seu discurso, foi realizada a cerimônia que formaliza a posse dos novos acadêmicos. Nessa ocasião, o acadêmico José Sarney entregou a ele a espada, o acadêmico Eduardo Portella fez a aposição do colar e a acadêmica Ana Maria Machado lhe entregou o diploma, conforme a cerimônia oficial da Casa de Machado de Assis - a sua nova casa, onde seus membros honram a língua pátria que une povos. E creio que sua presença levará novas vozes e novo oxigênio à ABL, e a tradicional cerimônia de posse de Ferreira Gullar, transmitida ao vivo, pela primeira vez, pelo novo sistema de comunicação da ABL.
Por coincidência ele foi empossado na mesma data em que São Luís foi elevada à condição de Patrimônio Cultural da Humanidade, pela UNESCO, em cerimônia na sede de Paris, em 5 de dezembro de 1997, ocasião em que estiveram presentes a então Governadora Roseana Sarney, o arquiteto e coordenador de parte dos documentos formais sobre o centro histórico de São Luís, Felipe Andrés, diretor do Patrimônio Cultural do Estado, na época, e outros assessores de governo e autoridades.
“Petit Trianon de Versailles”, suas portas, janelas e salões abertos
A Academia Brasileira de Letras foi fundada em 1897, e a instalação de sua sede foi no prédio neoclássico batizado de “Petit Trianon de Versailles”, em 1923, como a sede definitiva da ABL, que abre suas portas, janelas e salões iluminados, para receber cada novo acadêmico que é empossado em cadeiras patroneadas por grandes nomes da literatura nacional, por falecimento de mais dos seus membros.
O Grande Senhor Tempo é testemunha da história da arte e das realizações institucionais que representam setores e segmentos da sociedade mundial. E nessa perspectiva, sob a direção da arte do tempo, as sessões da ABL, desde sua fundação em 1897, até 1904, se realizavam em diversos locais da cidade do Rio, tais como: Colégio Pedro II, Biblioteca Fluminense, Real Gabinete Português de Leitura e Ministério do Interior. Foi o acadêmico Mário de Alencar quem conseguiu a permissão para a Academia funcionar no prédio Silogeu Brasileiro, também no centro do Rio de Janeiro, onde realizava suas atividades acadêmicas, até se fixar no Petit Trianon.
A réplica brasileira foi construída na Avenida das Nações (atual Avenida Presidente Wilson), no coração do Rio, para registrar a importante participação francesa na Exposição do Centenário da Independência do Brasil, em 1922. Após as comemorações, em 1923, o prédio ficou sem utilização, e assim foi doada à ABL.
O belo prédio foi doado à instituição literária brasileira pelo Governo francês, através de seu primeiro-ministro, Raymond Poincaré, e presidente da República, Alexandre Millerand. A cerimônia de inauguração do novo endereço da importante Casa de Machado de Assis foi dirigida pelo Acadêmico Afrânio Peixoto, presidente da ABL, que contou a importante presença do embaixador da França, Alexandre Conty, além de outros ilustres acadêmicos, da época.
Assim, a centenária e histórica Academia Brasileira de Letras abriu portas e janelas do “Petit Trianon de Versailles”, para mais uma tradicional cerimônia de posse de um novo imortal: Ferreira Gullar, pois sua obra viva representa milhares de palavras que possuem alma, sons, muitas vozes, ressonâncias, cores, ecos e verdades que atravessam fronteiras, pois o poeta, aos 84 anos, passa a ocupar a cadeira deixada por Ivan Junqueira.
Gullar, em sua sabedoria maior, em seu conhecimento filosófico, histórico, literário, poético e artístico criou diversos movimentos literários, e suas dezenas de obras publicadas no Brasil possuem uma linguagem universal que é traduzida por mentes e corações sensíveis, pois o coração do poeta, sua alma, sensibilidade, inteligência, sua beleza interior encantam os ludovicenses, maranhenses, brasileiros, assim como encantam os latinos e europeus que são leitores de suas diversas obras, assim como encantam dezenas de cantores, músicos, atores, poetas e escritores brasileiros. Esse importante crítico de arte já ocupa uma cadeira acadêmica na Casa de Machado de Assis, na cidade do Rio de Janeiro, uma das sedes da cultura brasileira e internacional..
Vestindo o fardão de acadêmico, Gullar abriu seu discurso agradecendo aos amigos acadêmicos que tanto insistiram para que ele se candidatasse a uma vaga na casa, como José Sarney, Eduardo Portella, Ana Maria Machado, Cicero Sandroni e Antonio Carlos Secchin. "Aproveito para pedir desculpas por tanto ter me esquivado à sua paciente generosidade", disse ele, publicamente, uma vez que teria sido criticado por alguns, por ter tido sempre uma postura transgressora, e que estaria traindo seu passado ao participar de uma instituição que representa tradição e o 'establishment'. Gullar referiu-se à guinada como coerente com suas escolhas na vida, sempre surpreendentes.
"Como minha vida tem se caracterizado não pelo previsível, mas pelo inesperado, ao decidir-me pela candidatura à que nunca aspirei, agi como sempre agi, ou seja, optar pelo imprevisível. Estou feliz da vida, uma vez que, aos 84 anos de idade, começo uma nova aventura pelo inesperado que a algum lugar desconhecida há de levar-me. Pode alguém se espantar ao me ouvir dizer que posso encontrar o novo nesta casa que é o reduto próprio da tradição. E pode ser que esteja certo. Não obstante, como na vida, em qualquer lugar, em qualquer momento, o inesperado pode acontecer".
Seguindo a tradição, Ferreira Gullar homenageou os ocupantes da cadeira 37: Alcântara Machado, Getúlio Vargas, Assis Chateaubriand, João Cabral de Melo Neto e, finalmente, seu antecessor e amigo, Ivan Junqueira. "Posso garantir-lhes que foi um grande homem de letras. Na literatura, encontrou seu verdadeiro universo", disse o poeta.
Ferreira Gullar homenageou o patrono de sua cadeira, Tomaz Antonio Gonzaga. "Não diria que foi um grande poeta, mas tampouco enveredou pela falsa retórica e falsos sentimentos", disse Gullar, um dos mais aclamados autores brasileiros vivos.
( Fotos da Internet)
Ave Gullar!
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Brasil, 05 de dezembro de 2016

Universidade Planetária do Futuro -Ano V
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